10 abril 2009

morphine the night

you're the night, Lilah
a little girl lost in the woods
you're a folktale
the unexplainable
you're a bedtime story
the one that keeps the curtains closed
i hope you're waiting for me
cause I can't make it on my own
i can't make it on my own

it's too dark to see the landmarks
and i don't want your good luck charms
i hope you're waiting for me
across your carpet of stars
you're the night, Lilah
you're everything that we can't see

unknown the unlit world of old
you're the sounds i've never heard before
off the map where the wild things grow
another world outside my door
here i stand i'm all alone
driving down the pitch black road
Lilah you're my only home
and I can't make it on my own

morphine

02 abril 2009

pensamentos instantâneos

This is Major Tom to ground control
I'm stepping through the door
And I'm floating in the most peculiar way
And the stars look very different today

For here am I sitting in a tin can
Far above the world
Planet Earth is blue, and there's nothing I can do

Ground control to Major Tom,
Your circuit's dead, there's something wrong

Can you hear me Major Tom?
Can you...

01 abril 2009

M-A-N-I-A-C

I need a man/To bring me love/To make me sing
I sing I need a man/To make me feel/Like I'm a queen
I said to take me to the god eyes/And kiss the devil on the lip
I need a man/To make me moan/To make me bad
I need a man/To drive me slow/To drive me mad
I said to take me to the god eyes/And kiss the devil on the lip

M-A-N-I-A-C

I need...

she's back!


PJ Harvey - Black Hearted Love

o bom das quartas-feiras é que elas rapidamente nos indicam o caminho a seguir até ao fim de semana.
independentemente do estado de espírito, uma pessoa olha para o calendário e vê.. ok.. já só faltam mais dois dias.
nos sítios do costume inventam-se mil e uma coisas para não se ser apanhado na rotina.. e estava eu na
Radar quando de repente apanho isto. apanho-a. e não é uma ela qualquer, logo..
o patrão que espere.. e os telefones que toquem.. porque eu..
porque eu simplesmente não estou cá.
estou num outro sítio ao qual ainda não dei nome mas que visito bastantes vezes.
pois o mundo que espere que eu preciso disto.
bastante.

I think I saw you in the shadows
I move in closer beneath your windows
Who would suspect me of this rapture?
I'd like to take you to a place I know
My black hearted
I'd like to take you...
I'd like to take you to a place I know
My black hearted...
I'd like to take you


"She'll never know just what I found.."

24 março 2009

#21 doença.crónica

aqui está.. espero que gostes. escolhi por ti e fiz-te este chá.. é de maçã-canela; espero que gostes porque ou era esse ou um de camomila e.. bom, eu não queria que adormecesses já -- disse depois com uma gargalhada.
adoro, obrigada pelo trabalho qure tiveste ali pela cozinha, suponho. -- respondi-lhe estendendo as mãos para a chávena.
sem problema. normalmente quando trago alguém cá a casa é tudo na base da cerveja ou whisky.. e para ser sincero já tinha saudades de ir à cozinha fazer algo diferente. de preferência para alguém que não apenas eu.
entreti-me a olhar para a chavena de chá.. pareceu-me ser vermelha.. ou então de um castanho escuro.. ou então.. no escuro o sentido da visão não nos serve para muito mesmo.
e então, gostas do espaço?
sim.. é muito acolhedor, e é bom poder dizer isso de uma casa.. é acolhedora. e a vista é de facto impressionante, como disseste.
aah!! mas antes de mais.. -- disse levantando-se de repente e ligado o interruptor da luz -- voilá!
os meus olhos de inicio estranharam aquela luminosidade repentina. depois entretiveram-se a (re)descobrir o espaço.
a música tinha parado.
deixa-me só pôr umas musicas de uma banda que tenho andado a escutar.. se bem que escolheste muito bem a banda sonora à pouco.. -- e sorri-me com os olhos. reparo melhor nos dele nesse momento em que o nosso olhar se cruza.
foi apenas o tempo de ele voltar a trocar o CD.. e o som de Sean Riley ecoa pelo pequeno espaço da sala.
"Let the good times roll.."
excelente escolha. vi-os na aula magna há quase um ano. foram uma boa surpresa. -- digo eu enquanto me levanto para iniciar uma pequena tour pela casa. posso? -- pergunto erguendo a chávena do chá..
claro que sim. sente-te como se estivesses em.. casa.
sorri.
dei uma volta e comecei a dar uma vista de olhos pelas prateleiras.. livros.. uma unica moldura com uma foto a preto e branco, pelo aspecto diria ser já bastante antiga.. lá estava um homem fardado, de aspecto distinto, com traços muito semelhantes aos dele. apenas a cor dos olhos era diferente. mas o sorriso,esse era exactamente igual.
uma garrafa de whisky a meio, uma revista da semana anterior.. papéis escrevinhados assomavam debaixo das folhas de um qualquer jornal; senti-me tentada a ler mas não me pareceu por bem fazê-lo.
os livros estavam empilhados sem uma ordem lógica aparente.. li as lombadas.. Pessoa.. -- um clássico este senhor -- disse-lhe da outra ponta da sala. poesia, Allan Poe, livros sobre cinema, antropologia.. arquelogia.. -- muito bom.. vais ter de me emprestar algum dos teus livros..
posso emprestar-te o que quiseres. tens aí um muito bom.. já o terminei de ler pela quarta vez. -- e aponta para o sofá.
humm.. Henry Miller.. -- digo-lhe com um sorriso trocista.. -- este Trópico de Cancer é sempre qualquer coisa. mas estava a pensar em raptar-te o Poe.
deixa lá o Poe sossegado para uma nova viagem. trás daí o Miller para se juntar a nós. eu leio-te um trecho e vais ver que vais querer levá-lo contigo. -- diz-me da outra ponta da sala onde continuava sentado junto á janela.
arrasto o Miller, o resto do chá maçã-canela comigo e sento-me ao lado dele. estendo-lhe o livro.
ele leva primeiro a mão a uma mecha de cabelo que lhe caia para a cara e depois abre decididamente o livro numa página que parecia já saber de cor.

22 março 2009

#20 doença.crónica

tinhamos saido para aquilo a que chamámos ser um "café rápido".
ainda assim cada um tinha feito um esforço visivel para estar bonito ao olhar um do outro.. senão não me teria olhado ao espelho aí umas três vezes no minimo antes de sair de casa.. e aquele casaco cor de mel que eu nunca lhe vira vestido também não tinha saído à rua sequer.
mas depois de estar algum tempo no bar tornara-se complicado dar continuação á conversa naquele lugar tão cheio de pessoas, fumo.. e com tão pouco espaço para uma conversa mais.. confortável.

e se dessemos um saltinho até minha casa.. é aqui perto.. isto se não te importares de caminhares comigo até aqui ao fundo da rua.. subimos umas escadinhas, o apartamento é logo ali.
acedi com um sorriso.

durante o caminho falámos de coisas triviais.. dei por mim a mexer no cabelo durante o percurso.. creio que estava ansiosa, ou nervosa.. ou talvez ambas as coisas.
ele tinha as mãos nos bolsos, não deu para decifrar.
tens frio? se quiseres eu empresto-te o casaco, apesar de ser perto, não quero que fiques doente por minha causa.
não tem problema.. estou bem assim.. além disso o teu casaco fica-me enorme..
humm.. eu até achava piada vê-lo em ti.
depois dessa frase ficámos calados.
parámos junto a um portão verde. de lá de dentro surgiu primeiro uma pequena sombra que deu depois lugar a um focinho curioso.
que giro tens um cão? -- perguntei enquanto passava a mão pelo novelo de pêlo preto.
não é meu.. é do senhorio. mas passa muito tempo em minha casa.. não tenhas medo, ele é completamente inofensivo, só quer mimos e atenção.
um pouco como as pessoas não?-- levantei-me e olhámos um para o outro.
e então, subimos?
a casa tinha um aspecto que me agradou desde logo. a construção antiga, a rugosidade das paredes, a luz escassa nas das escadas de madeira e o soalho que rangia a cada passo debaixo dos nossos pés.
deu-me a impressão de ter ouvido o ressonar de um vizinho no caminho até ás aguas furtadas. não consegui conter o riso.. talvez por saber que não deviamos fazer muito barulho. ou então..
é aqui.. ele rodou as chaver na fechadura.. e depois do som metálico avançou sem acender qualquer luz..
segui-o.
o ar cheirava a.. julgo que era canela. o cheiro era-me agradavel.. não me questionei pela reduzida luz que nos fazia acompanhar.
aos poucos consegui distinguir as formas dos objectos que me rodeavam.. um sofá.. uma mesa baixinha com alguns livros empilhados.. nas paredes deveriam ser quadros, apesar de não conseguir ver as imagens. junto ao chão estava um colchão, deveria ser a cama..
ele estava junto a uma janela rasgada desde o tecto até ao chão..
anda cá.. quero que vejas isto..
segui-lhe a voz..
não é uma vista fantástica? só esta vista vale o preço da casa.
as luzes da rua.. dali avistava-se parte antiga da cidade.. e se focasse o olhar lá ao longe estava o negro do rio, onde se reflectiam as luzes e o reflexo da lua.
é bonita visão, não achas?.. -- senti os olhos dele perto..
sim é.. muito bonita mesmo. consegues ver o rio e tudo, és um privilegiado.
acho que deviamos sentar-nos aqui a conversar..
não acendas a luz então . -- respondi de imediato. não pensei bem no porquê de lhe ter dito aquilo.
vi-o sorrir.
ok.. é da maneira como não te apercebes da confusão em que tenho a casa.. então dá-me um segundo.. olha, vou puxar praqui um sofá e faço-te uma vista improvisada para a cidade. tomas algo?
humm.. tens um chá..?
claro.. eu arranjo-te. -- a voz dele soou atrás de mim -- dá-me o teu casaco, eu guardo-o ali..
as mãos dele passaram suavemente pelas minhas costas; levantei o cabelo para o ajudar a despir-me. as suas mãos tocaram-me levemente o pescoço, o que me causou logo um arrepio que julgo não ter conseguido disfarçar grandemente..
devias cortar o cabelo pela altura do teu pescoço.. -- disse ele num tom mais baixo do que o até então.
porquê? -- perguntei intrigada, levando as mãos aos caracóis..
porque acho o teu pescoço bonito..e assim via-o melhor.. -- depois riu-se e voltou a perguntar -- então.. queres um chá.. é isso? vou fazer. entrentanto fica à vontade, escolhe algo que queiras ouvir, põe ao calhas. os meus CD's estão aí nessa coluna à tua esquerda.
lá dei com o primeiro CD que apanhei .. o som da "Scatterheart" invadiu por momentos a sala.
muito bom! adoro essa música -- ouvi-o dizer lá ao longe.
continuei a olhar pela janela enquanto ouvia os sons que vinham da cozinha a misturarem-se com a musica.
sentia-me extremamente bem ali...

16 março 2009

soon we'll be found

o vento abrandara.
as pessoas começaram a adormecer, acordando os sons da velha casa.
lembro-me que nessa altura a música já tinha parado.
o chão de madeira fez um leve som semelhante a um estalido.. levantei os olhos para ver o teu rosto tão perto do meu.
o reflexo trémulo entre as sombras.. a cor dos nossos cabelos em contra luz.
deitada de lado, desejei que a minha boca não deixasse a tua nem por um segundo.. mas entretanto nesses pensamentos devo ter adormecido.
acordei com a luz azul da madrugada, o som de meia dúzia de pássaros a chilrear lá fora.. uma pequena formiga a andar por cima do livro que entretanto tombara junto ao colchão.
movi um pé nos lençóis que nos cobriam, levantei a cabeça e voltei a olhar para o lugar que tinhas ocupado durante a noite.
fechei os olhos e desejei
que tivessemos feito amor, trocado segredos.. ficando depois a sorrir em silêncio no escuro.

15 março 2009

feeling good

sabe bem quando nos rimos até a barriga doer e parecer que o corpo se desencaixa e vai dançando sozinho.
há qualquer coisa de particularmente agradável quando rimos com alguém.

existe ali algo que não se explica com nenhuma das palavras já inventadas.
humm..

#19 doença.crónica

se quiseres posso ficar e ajudar-te a arrumar esta barafunda.. é melhor fazer isso agora senão amanhã acordas e dás com isto..
fora assim que acabara por ficar mais umas horas em tua casa. dei comigo na tua cozinha a partilhar o mesmo espaço que tu e a dar conta do quanto isso ainda continuava a ser-me estranhamente familiar. não nos olhámos muitas vezes durante o tempo que demorou a arrumar os restos do jantar.
estavamos ambos cansados e não falámos muito. ou pelo menos demos como desculpa o cansaço para não trocarmos muitas palavras.
foste até á janela da cozinha, fizeste deslizar o vidro e acendeste um cigarro.. bolas, como eu adoro a maneira como acendes um cigarro.. brincando com o lume do isqueiro e deixando discplicentemente o fumo sair da tua boca, fazendo contornos e desenhos de fumo no ar.
desviei o olhar e voltei a olhar para a espuma branca que se amontoava à minha volta.. a sensação da água e dos pratos e copos já lavados que se alinhavam à minha frente.
queres dar um bafo? -- diz a tua voz.. -- já aí vou deixa-me só terminar aqui isto..
hey, chega aqui agora, a louça pode sempre esperar.. ou tens pressa de ir a algum lado?
acedi e fui até á janela.
lá em baixo um casal estava sentado num banco de jardim, mesmo debaixo de uma velha arvore onde já estiveramos os dois numa tarde.
nesse momento a minha cabeça bloqueia qualquer pensamento de teor delico-doce e opto por me encostar melhor e observar o jardim, mas desta vez olhá-lo como se me fosse um sitio estranho, sem memórias.
um dia sei que farei o mesmo contigo, e tu comigo.. será?

já é tarde -- ouço-me dizer enquanto levo as mãos ao cabelo.
já tens de ir? -- quase que me pediste para não ir e ficar mais um pouco, mas sei que isso teria agora um peso que não poderia carregar.. um preço demasiado alto para ambos e no fundo, mesmo no fundo, nenhum faria muita questão de que isso acontecesse.
levantei-me, vesti o casaco, agarrei na mala, olhei para ti com o olhar das despedidas. deste-me um beijo na testa e abriste a porta. tens a certeza que vais bem assim?..
claro que sim, não te preocupes.
então adeus.. não é?
esbocei um sorriso ou qualquer coisa que se assemelhou a um sorriso. acho que agora já não saberias diferenciar um do outro.
desci as escadas o mais calmamente que consegui e ao chegar à rua suspirei tão profundamente como se tivesse acabado de correr uns bons metros.
desci a rua e apanhei um táxi rumo a casa.
para onde? -- a pergunta da praxe.
siga por aqui. -- encostei-me ao vidro e fui observando a rua a passar-me pelos olhos. como se fosse uma ultima vez. depressa chegaria a casa.. e esta sensação desapareceria de vez.
agarrei no telemovel, e dei comigo a olhar para o teu numero.. apaguei-o.
em que estarás a pensar neste momento?.. e agora?