28 julho 2006

Harder, Better, Faster, Stronger
















Depeche Mode















onde é que eu hoje deveria estar?? a ver o concerto em Alvalade.. ah pois.. mas não vai haver nada pra ninguém e quem quiser que se contente a relembrar como foi a 8 de Fevereiro..! :(

não é justo.. deve ter sido a primeira e ultima vez que os vi em terras lusas..

ah old memories......... vou ter de me «agarrar» a elas!!

27 julho 2006

hoje saí de casa pra nada..
lá fora um calor de verão a chamar pra outras paragens que não mais estas feitas de asfalto, cinzentismo e calor abafado de buzinas e marcas de alcatrão.
hoje saí de casa pra me misturar no meio de uma multidão que se confina nestas ruas da cidade, se empurra pelas ruas rumo ao metro, se apinha impacientemente nas paragens de autocarro, se emudece nas palavras, se fere com o olhar e nos retribuí um sorriso amarelo..
tento abstrair-me dos encontrões,e de todas as coisas que me fazem confusão e vou batendo o pé ao som da música que se escapa dos phones (há lá melhor invenção que isto!!) hoje não vou em devaneios por esses temas.
o silêncio também é bom, e não causa o embaraço de certas palavras que saltam pela boca ou pelo coração.
saí de casa pra nada.
acabei por não fazer aquilo que me tinha feito sair mas foi bom andar aí á deriva a passar em sitios onde já não ia há tanto.. se tive saudades? tive.. mas não sei se pertenço já a esses sitios. parte de mim ficou ali.. parte desses lugares vieram comigo.
cheguei a casa.
o silêncio incomoda por isso trato de ligar a televisão e pôr um cd de PJ Harvey a tocar ruidosamente na aparelhagem..

And I'm right on time
And the birds keep singing
And you're right on line
And the bells keep ringing
One day they'll be a place for us
And the battle is won
And the planes keep winging
And I'm right on time
And the girl keeps singing
One day they'll be a place for us

já estou em contagem decrescente para abandonar este "paraíso do asfalto", nem que seja por poucos dias vou agarrar nas minhas tralhas e rumar ao sul.. de preferência com vista para o azul do mar porque me distrai a vista e me fascina desde sempre.
prepara-se o verso final da música..

One day
I Know
They'll be
A place
Called
Home

maybe one day I find.

Linhas de pensamento














Amar não se conjuga no condicional.

É bem possível amar um assassino. O amor não tem partes nem tempo usual. Tudo altera. Tudo inverte. Tudo perdoa. Não é só uma coisa por dentro. Para uma pessoa que ame , o mundo todo torna-se amável. Para uma pessoa que não ame tudo parece estar prestes a desmoronar-se sem mais se levantar."


Pedro Paixão


"... em cada instante da manhã, o céu a deslizar como um rio.
À tarde, o sol como uma certeza. O amor é feito de claridade e da seiva das rochas.
O amor é feito de mar, de ondas na distância do oceano e de areia eterna.
O amor é feito de tantas coisas opostas e verdadeiras. Nascem lugares para o amor e, nesses jardins etéreos,a salvação é a brisa que cai sobre o rosto suavemente"

José Luís Peixoto

26 julho 2006

nalgum lugar em que eu nunca estive
alegremente além de qualquer experiência
teus olhos têm o seu silêncio
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram
ou que eu não ouso tocar
porque estão demasiado perto

E.E.Cummings

excertos

“É tão estranho conhecer uma pessoa.
Tão difícil que parece impossível. Não existir e passar a existir: uma pessoa inteira, um mundo inteiro. Onde caberá um mundo inteiro neste mundo pequenino? Como é que se consegue? Como é que se faz?”

“Mas gostava que soubesses que já gosto muito de ti, embora ainda não tenha tido tempo de saber o que é isso de gostar muito de ti. Não faz mal, logo se vê. Não, o que me assusta mesmo muito, quase terror por vezes, é depois não poder voltar atrás, tão simplesmente como quem põe uma fita de cinema a rebobinar. Quero dizer, depois de começar a gostar de ti como gosto, já não consigo desfazer isso que se fez, sei lá o quê, o que tu quiseres, isso tudo, o que nos traz juntos até aqui, se tu quiseres.”

“É tão bom sentir o que sinto. Que alguém, e és tu, me quer com o maior cuidado para não se enganar, iludir, mentir a si próprio que não me está a confundir, sem querer, com o que desejava ver, sempre esperou alcançar, sonhou quando era criança num sonho que ficou, quer mostrar aos outros, ao pai em especial, a quem quer que seja, pouco importa. Não, do que tu gostas mais em mim é dos meus pecados, dos meus defeitos físicos, de tudo o que não consigo ser, onde falhei, onde não pára nunca de doer, é isso o que tu queres ver, o que queres ter perto de ti, queres aceitar e cuidar, só isso, e o resto, só se vier com isso, porque é isso que tu amas em mim. Será isso? Será assim? Será possível pela primeira vez? Pode ser, talvez seja disso feito o nosso amor. Pelo menos grande parte, meu querido.”

Pedro Paixão «Muito, meu amor»


«Morrerei todos os dias um pouco em tudo aquilo que deixarei de ser nas mãos vazias de carícias nos olhos apagados de ilusões.
Aos poucos os sentimentos esvaiem-se derramados pelo chão destruidos e sem chama.
Morrerei um pouco mesmo sem saber e sem querer porque o tempo passa e as cicatrizes da vida continuarão para sempre na sombra do meu caminho.»


Manuel Neves

e aqui começou o pecado..













"A mulher é a arma do diabo" Santo António

"Sem a intervenção da mulher nunca o Diabo levaria os homens de vencida" Santo António

"A mulher é o isco venenoso de que se serve o Diabo para se apoderar das nossas almas" S. Cipriano

"A mulher é o dardo agudo do Demónio que por ela venceu Adão, fazendo-lhe perder o Paraíso" S.Bernardo

"A mulher tem o veneno de uma áspide e a malícia de um dragão" S. Gregório

"De todas as bestas ferozes nenhuma é mais perigosa que a mulher" S. João Crisóstomo

"A mulher é uma ténia furiosa que tem sede no coração do homem" S. João Damasceno

"Nem tenha a cabeça descoberta, porque não só a voz mas também os cabelos da mulher são coisas indecentes" S. Paulo

"Digo que bom seria a um homem nunca tocar mulher alguma" Paulo Corint. I VII-1 e 26

"A mulher cujos lábios são como o favo que destila o mel, mas o seu fim é amargo como o absinto, talhante como a espada de dois gumes, os passos dela penetram até ao inferno e aquele que chegar a ela nunca mais fica limpo" Salomão

enviaram-me ainda agora este.. como dizer, interessante mail. deve ser por estas e por outras que a minha visão da Igreja não anda lá muito boa. mas deu pra rir.. :D

ao som de Tori Amos - Crucify

Lover.. you should've come over



Jeff Buckley (live in Chicago)

Looking out the door I see the rain fall upon the funeral mourners
Parading in a wake of sad relations as their shoes fill up with water
And maybe I'm too young to keep good love from going wrong
But tonight you're on my mind so (you'll never know)
I'm broken down and hungry for your love with no way to feed it

Where are you tonight?
Child, you know how much I need it
Too young to hold on and too old to just break free and run
Sometimes a man gets carried away when he feels like he should be having his fun
And much too blind to see the damage he's done
Sometimes a man must awake to find that, really, he has no one...
So I'll wait for you... and I'll burn

Will I ever see your sweet return, oh, or will I ever learn
Lover, you should've come over cause it's not too late
Lonely is the room the bed is made
The open window let's the rain in
Burning in the corner is the only one who dreams he had you with him
My body turns and yearns for a sleep that will never come

It's never over, my kingdom for a kiss upon her shoulder
It's never over, all my riches for her smiles when I sleep so soft against her...
It's never over, all my blood for the sweetness of her laughter
It's never over, she is the tear that hangs inside my soul forever
Maybe I'm too young to keep good love from going wrong

Oh... Lover, you should've come over...
Cause it's not too late...

Jeff Buckley - Lover, you should've come over


já tenho escolhida a banda sonora para os próximos dias.. ao menos isso.

24 julho 2006

Melt me...

This is our last goodbye
I hate to feel the love between us die
But it's over...
Just hear this and then I'll go:
You gave me more to live for, more than you'll ever know.

This is our last embrace,
must I dream and always see your face
Why can't we overcome this wall
Baby, maybe it is just because I didn't know you at all.

Kiss me, please, kiss me
But kiss me out of desire, babe, and not consolation
You know, it makes me so angry 'cause I know that in time
I'll only make you cry, this is our last goodbye

Did you say "no, this can't happen to me,"
and did you rush to your phone to call?
Was there a voice unkind in the back of your mind saying,
"Maybe...you didn't know him at all."

Well, the bells out in the church tower chime
Burning clues into this heart of mine
Thinking so hard on her soft eyes and the memory
Of her sighs that, "It's over...it's over..."






Jeff Buckley - Last Goodbye (Grace)

20 julho 2006

Estórias

«Rabiscos»

E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou: - O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um rapaz inteiramente igual a cem mil outros rapazes. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... a vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e olhou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem queria, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais.(...)

Foi assim que o pricipezinho prendeu a si a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa.
- Por causa da cor do trigo...
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.(...)
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa.

- Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer."

Antoine de Saint-Exupéry

Quero um pôr do sol em algum lugar
















facto consumado:o verão faz-se sentir e se dúvidas houvesse temos o belo do clima quase tropical para o confirmar.
sinceramente por muito que adore o calor este braseiro já não se suporta e nem uma sombra parece agradável e por muito que se beba nada parece chegar... e nem com o entardecer surge uma brisa para refrescar..
já só penso em sair aqui da cidade e ir rumo à praia, atirar-me de cabeça pra àgua e ficar por ali á deriva um bom bocado sem ter de pensar em nada.
na àgua sinto-me em casa.. e não sei explicar mas o mar acalma-me em tudo, seja qual fôr o motivo... resulta sempre! terapia marítima talvez..
não há nada melhor do que acordar, vestir o bikini, agarrar na toalha, um livro, uma data de cd's e rumar pra praia, estender a toalha num sitio agradável e ficar ali a olhar o mar..
de repente damos conta que o "nosso sitio" é tão agradavel que chamou a atenção daquelas familias numerosas com filhos pequenos, avozinhas e geleiras azuis, chapéus de sol da Olá.. e de repente instala-se a completa confusão e estamos ali no meio do filme sem termos pago bilhete.
eu gosto muito de crianças, são adoráveis.. mas na praia tornam-se verdadeiras armas de destruição maciça: ora gritam, fazem fitas, atiram com areia pra cima de toda a gente, lançam-se em voo picado pra dentro de àgua, molhando tudo num raio de cem metros e depois olham com aquele ar angelical do tipo: «sou tão querido/a não sou??» e olha.. aguente-se..
contamos até cem... mil e lá passa.

voltamos pra toalha, entretanto a maré encheu e temos um espaço cada vez mais reduzido de areal à disposição, mas vai-se distraindo a mente e abstraindo do facto que por algum acaso do destino já pertencemos à dita familia da geleira azul e acabamos por aceitar uma cola fresquinha que a dita avozinha nos oferece com ar maternal.. enquanto diz «a menina não se quer pôr á sombra aqui no chapéu?? olhe que este sol já não é como era no meu tempo..» enquanto secretamente me recrimina pelo tamanho do bikini que, obviamente, não corresponde ás medidas do aceitável para o que era «no seu tempo».
mas apesar de tudo isto... nada se compara com um belo dia de praia... esperar que as pessoas vão deixando o areal e ver o sol pôr-se... sair da praia com os pés ainda cobertos de areia e o cabelo a pingar da água do mar do último mergulho...
simplesmente perfeito.

dá-me um pôr do sol em algum lugar..